IFRS S1 e S2 no Brasil, do “ESG narrativo” ao disclosure financeiro obrigatório
- Luiz André Bacelo

- há 1 dia
- 4 min de leitura

Os padrões IFRS S1 e IFRS S2, emitidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), e incorporados no Brasil como CBPS 01 e CBPS 02, inauguram uma nova etapa para a transparência corporativa: sustentabilidade e clima passam a ser reportados com o mesmo rigor exigido das informações financeiras.
No Brasil, a Resolução CVM 193 institui a adoção desses padrões para companhias abertas, com implementação progressiva e tendência de obrigatoriedade, alinhando o mercado brasileiro às principais práticas internacionais.
Na prática, as empresas passam a demonstrar — de forma estruturada e auditável — como riscos e oportunidades ESG e climáticos afetam receitas, custos, ativos, passivos e fluxos de caixa, além de como esses temas estão integrados à governança, estratégia e gestão de riscos.
O que são IFRS S1 e IFRS S2 (CBPS 01 e CBPS 02)
IFRS S1 (CBPS 01) – Requisitos gerais de divulgação
O IFRS S1 estabelece os requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.
Seu objetivo é permitir que investidores compreendam os riscos e oportunidades materiais que podem impactar o desempenho e a posição financeira da empresa.
O padrão estrutura o reporte em quatro pilares:
Governança.
Estratégia.
Gestão de riscos.
Métricas e metas.
Sempre com foco em materialidade financeira e conexão direta com as demonstrações financeiras.
IFRS S2 (CBPS 02) – Divulgação relacionada ao clima
O IFRS S2 trata especificamente de riscos e oportunidades climáticos, sendo fortemente alinhado à estrutura da TCFD.
Ele exige que as empresas divulguem:
Riscos físicos e de transição.
Análise de cenários climáticos.
Resiliência do modelo de negócio.
Impactos financeiros esperados.
Além disso, inclui métricas como:
Emissões de GEE (Escopos 1, 2 e, quando material, Escopo 3).
Metas de descarbonização.
Plano de transição climática.
O que muda com a Resolução CVM 193
A CVM 193 representa um avanço relevante na regulação do mercado brasileiro ao introduzir os padrões do ISSB (CBPS 01 e 02).
Entre os principais impactos:
Padronização e comparabilidade
As empresas passam a reportar informações de forma consistente, facilitando a análise por investidores e aumentando a qualidade do mercado.
Integração entre sustentabilidade e finanças
Os riscos e oportunidades ESG deixam de ser apenas narrativos e passam a ser conectados diretamente aos resultados financeiros.
Evolução da transparência
Há uma tendência crescente de asseguração independente, aumentando a confiabilidade das informações divulgadas.
Foco na tomada de decisão
Os relatórios passam a ser direcionados para investidores, apoiando decisões de alocação de capital, avaliação de riscos e precificação de ativos.
Adoção faseada
A implementação ocorre de forma progressiva, com possibilidade de foco inicial em clima (IFRS S2 / CBPS 02), antes da ampliação para demais temas de sustentabilidade.
Benefícios do IFRS S1 e S2 para empresas e investidores
A adoção dos padrões vai além da conformidade regulatória e gera ganhos estratégicos relevantes:
Acesso a capital e redução de custo financeiro
Informações mais robustas reduzem a assimetria de informação e aumentam a confiança de investidores e instituições financeiras.
Melhor precificação de riscos
Permite ao mercado avaliar corretamente riscos climáticos e evitar perdas associadas a stranded assets.
Fortalecimento da gestão de riscos
A análise estruturada de riscos físicos e de transição aumenta a resiliência do negócio.
Decisões estratégicas mais qualificadas
Integra ESG à alocação de capital, CAPEX, OPEX e estratégia de longo prazo.
Reputação e confiança
Reduz riscos de greenwashing e fortalece a credibilidade da empresa perante stakeholders.
Eficiência operacional
A estruturação de métricas e metas impulsiona ganhos de eficiência e inovação.
Como implementar IFRS S1 e S2: passos práticos e integrados
A implementação deve ser tratada como um sistema integrado de governança, dados e decisão — não apenas como um relatório.
1. Planejamento e governança
Criação de comitê ESG/financeiro.
Definição de papéis e responsabilidades.
Estruturação de cronograma e matriz RACI.
2. Diagnóstico e análise de evidências
Mapeamento de políticas, processos e dados existentes.
Avaliação de maturidade ESG.
Entrevistas com lideranças.
3. Materialidade e priorização de temas
Foco em materialidade financeira (IFRS).
Possível integração com análises de impacto (ex: GRI), quando estratégico.
4. Análises técnicas (S1 e S2)
Identificação de lacunas.
Priorização de riscos e oportunidades.
Mensuração de impactos financeiros.
5. Estruturação de dados e controles
Integração com áreas financeiras.
Rastreabilidade de informações.
Preparação para taxonomia digital (XBRL).
6. Estratégia climática e plano de transição
Definição de metas.
Estruturação de plano de descarbonização.
Alinhamento com cenários climáticos.
7. Reporte e asseguração
Elaboração do relatório conforme S1/S2.
Validação interna (controladoria e auditoria).
Preparação para asseguração independente.
8. Adoção faseada
Foco inicial em clima (S2 / CBPS 02).
Evolução gradual para demais temas.
Desafios comuns na implementação
Empresas, especialmente intensivas em ativos (infraestrutura, energia, indústria), enfrentam desafios como:
Integração entre áreas (ESG, finanças, riscos).
Disponibilidade e qualidade de dados.
Mensuração de impactos financeiros.
Construção de cenários climáticos.
Governança e rastreabilidade.
Nesses casos, tratar o IFRS S1 e S2 como instrumento estratégico de gestão e não apenas como obrigação regulatória é um diferencial competitivo.
Conclusão
Os padrões IFRS S1 e S2 (CBPS 01 e 02) marcam uma transformação no mercado de capitais: sustentabilidade e clima passam a ser tratados com rigor financeiro, comparabilidade e foco em decisão.
Para empresas no Brasil, a adequação à Resolução CVM 193 é uma tendência regulatória mas, acima disso, representa uma oportunidade estratégica.
Ao integrar governança, dados e análise financeira de riscos ESG, as empresas fortalecem sua resiliência, melhoram sua eficiência e ampliam o acesso a capital.
Sua empresa está preparada para IFRS S1 e S2?
A Impactato ESG apoia empresas na implementação completa dos padrões IFRS S1 e S2 (CBPS 01 e 02), da governança ao reporte auditável.
Fale com um especialista e entenda o nível de maturidade ESG da sua empresa e os próximos passos para adequação à CVM 193.
Se você deseja levar sua organização a um novo patamar de sustentabilidade e responsabilidade corporativa, entre em contato com a Impactato ESG.
Nossa equipe oferece consultoria, treinamentos, palestras e mentorias personalizadas para atender às suas necessidades. Não perca a oportunidade de transformar seu negócio com práticas ESG estratégicas!




Comentários