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IFRS S1 e S2 no Brasil, do “ESG narrativo” ao disclosure financeiro obrigatório


Os padrões IFRS S1 e IFRS S2, emitidos pelo International Sustainability Standards Board (ISSB),  e incorporados no Brasil como CBPS 01 e CBPS 02, inauguram uma nova etapa para a transparência corporativa: sustentabilidade e clima passam a ser reportados com o mesmo rigor exigido das informações financeiras.


No Brasil, a Resolução CVM 193 institui a adoção desses padrões para companhias abertas, com implementação progressiva e tendência de obrigatoriedade, alinhando o mercado brasileiro às principais práticas internacionais.


Na prática, as empresas passam a demonstrar — de forma estruturada e auditável — como riscos e oportunidades ESG e climáticos afetam receitas, custos, ativos, passivos e fluxos de caixa, além de como esses temas estão integrados à governança, estratégia e gestão de riscos.


O que são IFRS S1 e IFRS S2 (CBPS 01 e CBPS 02)


IFRS S1 (CBPS 01) – Requisitos gerais de divulgação


O IFRS S1 estabelece os requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.


Seu objetivo é permitir que investidores compreendam os riscos e oportunidades materiais que podem impactar o desempenho e a posição financeira da empresa.


O padrão estrutura o reporte em quatro pilares:

  • Governança.

  • Estratégia.

  • Gestão de riscos.

  • Métricas e metas.


Sempre com foco em materialidade financeira e conexão direta com as demonstrações financeiras.


IFRS S2 (CBPS 02) – Divulgação relacionada ao clima


O IFRS S2 trata especificamente de riscos e oportunidades climáticos, sendo fortemente alinhado à estrutura da TCFD.


Ele exige que as empresas divulguem:

  • Riscos físicos e de transição.

  • Análise de cenários climáticos.

  • Resiliência do modelo de negócio.

  • Impactos financeiros esperados.


Além disso, inclui métricas como:

  • Emissões de GEE (Escopos 1, 2 e, quando material, Escopo 3).

  • Metas de descarbonização.

  • Plano de transição climática.


O que muda com a Resolução CVM 193


A CVM 193 representa um avanço relevante na regulação do mercado brasileiro ao introduzir os padrões do ISSB (CBPS 01 e 02).


Entre os principais impactos:


Padronização e comparabilidade

As empresas passam a reportar informações de forma consistente, facilitando a análise por investidores e aumentando a qualidade do mercado.


Integração entre sustentabilidade e finanças

Os riscos e oportunidades ESG deixam de ser apenas narrativos e passam a ser conectados diretamente aos resultados financeiros.


Evolução da transparência

Há uma tendência crescente de asseguração independente, aumentando a confiabilidade das informações divulgadas.


Foco na tomada de decisão

Os relatórios passam a ser direcionados para investidores, apoiando decisões de alocação de capital, avaliação de riscos e precificação de ativos.


Adoção faseada

A implementação ocorre de forma progressiva, com possibilidade de foco inicial em clima (IFRS S2 / CBPS 02), antes da ampliação para demais temas de sustentabilidade.


Benefícios do IFRS S1 e S2 para empresas e investidores


A adoção dos padrões vai além da conformidade regulatória e gera ganhos estratégicos relevantes:


Acesso a capital e redução de custo financeiro

Informações mais robustas reduzem a assimetria de informação e aumentam a confiança de investidores e instituições financeiras.


Melhor precificação de riscos

Permite ao mercado avaliar corretamente riscos climáticos e evitar perdas associadas a stranded assets.


Fortalecimento da gestão de riscos

A análise estruturada de riscos físicos e de transição aumenta a resiliência do negócio.


Decisões estratégicas mais qualificadas

Integra ESG à alocação de capital, CAPEX, OPEX e estratégia de longo prazo.


Reputação e confiança

Reduz riscos de greenwashing e fortalece a credibilidade da empresa perante stakeholders.


Eficiência operacional

A estruturação de métricas e metas impulsiona ganhos de eficiência e inovação.



Como implementar IFRS S1 e S2: passos práticos e integrados


A implementação deve ser tratada como um sistema integrado de governança, dados e decisão — não apenas como um relatório.


1. Planejamento e governança

  • Criação de comitê ESG/financeiro.

  • Definição de papéis e responsabilidades.

  • Estruturação de cronograma e matriz RACI.


2. Diagnóstico e análise de evidências

  • Mapeamento de políticas, processos e dados existentes.

  • Avaliação de maturidade ESG.

  • Entrevistas com lideranças.


3. Materialidade e priorização de temas

  • Foco em materialidade financeira (IFRS).

  • Possível integração com análises de impacto (ex: GRI), quando estratégico.


4. Análises técnicas (S1 e S2)

  • Identificação de lacunas.

  • Priorização de riscos e oportunidades.

  • Mensuração de impactos financeiros.


5. Estruturação de dados e controles

  • Integração com áreas financeiras.

  • Rastreabilidade de informações.

  • Preparação para taxonomia digital (XBRL).


6. Estratégia climática e plano de transição

  • Definição de metas.

  • Estruturação de plano de descarbonização.

  • Alinhamento com cenários climáticos.


7. Reporte e asseguração

  • Elaboração do relatório conforme S1/S2.

  • Validação interna (controladoria e auditoria).

  • Preparação para asseguração independente.


8. Adoção faseada

  • Foco inicial em clima (S2 / CBPS 02).

  • Evolução gradual para demais temas.


Desafios comuns na implementação


Empresas, especialmente intensivas em ativos (infraestrutura, energia, indústria), enfrentam desafios como:

  • Integração entre áreas (ESG, finanças, riscos).

  • Disponibilidade e qualidade de dados.

  • Mensuração de impactos financeiros.

  • Construção de cenários climáticos.

  • Governança e rastreabilidade.


Nesses casos, tratar o IFRS S1 e S2 como instrumento estratégico de gestão e não apenas como obrigação regulatória é um diferencial competitivo.


Conclusão


Os padrões IFRS S1 e S2 (CBPS 01 e 02) marcam uma transformação no mercado de capitais: sustentabilidade e clima passam a ser tratados com rigor financeiro, comparabilidade e foco em decisão.


Para empresas no Brasil, a adequação à Resolução CVM 193 é uma tendência regulatória mas, acima disso, representa uma oportunidade estratégica.


Ao integrar governança, dados e análise financeira de riscos ESG, as empresas fortalecem sua resiliência, melhoram sua eficiência e ampliam o acesso a capital.


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